POR QUE EU ME AFASTEI DE ALGUMAS PESSOAS?
- Damiana Rodrigues

- 25 de nov. de 2020
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Atualizado: 19 de mar. de 2021
Por Damiana Cícera
25 de novembro de 2020
Quando eu era criança – até os meus treze anos, eu tinha muitas amigas, gostava muito de brincar, amava meus avós, tios e primos, mas quando me tornei adolescente, me tornei solitária e com cada vez menos amigos, o porquê é o que compreendi somente agora.
Eu admirava minhas amigas e meus parentes, porque enxergava-os como pessoas íntegras, sinceras e valorosas, afinal, eu era uma criança e entendia muito pouco do mundo, eu só percebi como cada pessoa era verdadeiramente quando me tornei adulta.
As primeiras decepções vieram com minhas amigas que se afastaram de mim sem me dizer nada, parecia que eu era tóxica para elas – isso me deixou profundamente triste, afinal, pessoas que eu via e conversava todos os dias, de repente, não me desejavam mais perto delas.
Em seguida, a convivência conturbada com minha mãe e minha irmã que me proporcionara momentos muito desagradáveis e tensos na época.
Depois, quando eu fui cursar o ensino médio, eu sofri bullying na escola por diversos motivos e acabei me tornando solitária. Passava o dia inteiro em um local onde eu não me sentia a vontade e, à noite, chegava a um local tenso e conturbado – que era minha casa. Também, nessa época do ensino médio, parei de visitar meus avós e tios e isso me distanciou deles. Para concluir, minha melhor amiga se afastou de mim e trancou as portas da vida dela para que eu não pudesse mais entrar; eu fiquei perdida.
Quando eu concluí o ensino médio e iniciei minha graduação, precisei de apoio financeiro, mas somente minha mãe me ajudava. Nem meu pai, nem meus avós ou tios me deram suporte nessa época e eu percebi que eu estava cercada de pessoas egoístas e falsas – hipócritas, avarentos e mentirosos. Eu não tinha mais a mesma energia, mansidão, altruísmo e positividade que eu tinha antes. Minha cabeça mudou, meu mundo e meus valores também, porque eu já amargara por diversas vezes a dor do abandono. Eu tive que desenvolver uma maneira saudável de lidar com isso, e a maneira que eu encontrei foi não me importando tanto com a presença dos outros em minha vida; eu me tornei fria.
Na graduação eu também passei por momentos difíceis; algumas pessoas me desprezaram e me excluíram por motivos fúteis, afinal, eu nunca fui uma pessoa má, nem agressiva e nem mal educada, mas fui desprezada mesmo assim. Fui desprezada por pessoas de quem eu gostara e a quem eu dera valor, mas que não enxergaram valor em mim. Mas ainda assim eu ergui minha cabeça e fiz amizades verdadeiras.
Acredito que no final, as coisas fazem sentido; apesar das dificuldades, fiz amizades sólidas, verdadeiras, com pessoas valorosas para mim e que também enxergam valor em mim, e, acredito que isso foi possível, porque eu me mantive leal a mim mesma. Eu não me diminuí para caber em julgamento de ninguém; eu não abri mão dos meus princípios para ser aceita por ninguém; eu não fiz coisas que não gostava para estar ao lado de ninguém, então, considero minha passagem pela vida como uma prova de que eu sou leal, antes de qualquer coisa, a mim, e isso é o que me caracteriza.
Eu me afastei de algumas pessoas porque elas se afastaram de mim, ou me fizeram me sentir mal, insuficiente, ou tinham princípios completamente contrários aos meus, ou, me desprezaram, ou me excluíram, ou me julgaram sem me conhecer, ou, no fim das contas, porque nossos caminhos seguiram em diferentes direções; contudo, não me arrependo de nada. Hoje, tenho uns dez amigos, minha família é quem eu escolhi que seria e eu gosto assim, não gosto de ter muitas pessoas em volta, porque eu não suporto falsidade e a maioria das pessoas, infelizmente, é falsa. Eu sou e serei sempre verdadeira comigo, e acredito que todos os que fazem parte de minha vida estão nela porque me merecem e eu os mereço. Sou grata por suas vidas.
É certo que para ter amigos verdadeiros, eu tenho que ser verdadeira, com todos, e ainda mais, comigo, porque a vida é como um vento que traz de volta tudo o que você espalha por aí. Isso te causa medo ou alívio?




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