SOBRE INFELICIDADE, DEPRESSÃO E ESCOLHAS NA VIDA
- Damiana Rodrigues

- 25 de nov. de 2020
- 4 min de leitura
Por Damiana Cícera
25 de novembro de 2020
Eu decidi escrever porque é a única maneira que eu consigo expor tudo o que sinto.
Não me sinto mais tão à vontade para conversar - com qualquer pessoa que seja; eu me tornei introspectiva e mais solitária do que sempre fui. Eu me sinto confortável para conversar com Deus – em oração, mas com nenhuma outra pessoa. Não sei se acho que elas não me compreendem ou se simplesmente não quero me expor, porque acredito que só eu mesma sou capaz de me compreender.
Desde muito jovem, tenho guardado segredos e dores, que às vezes se tornam pesados, mas com os quais aprendi a conviver, porque eu não quero nem as críticas, nem o julgamento dos outros, afinal, minha consciência já me maltrata o suficiente. Deus bem sabe que em todos esses anos eu tenho me esforçado para ser boa, ser justa, correta e feliz, mas o mundo é como uma peça e eu sou uma péssima atriz.
Todos os dias de minha vida foram e são como batalhas, eu preciso superar o vazio existencial, a angústia, as tristezas, decepções e toda a enxurrada de sentimentos e sensações ruins que me rodeiam e ter cuidado para que não se apossem de mim e me consumam. Eu sei que a força para superar a infelicidade eu tenho que extrair de mim, mas às vezes isso parece irreal. Em alguns momentos eu me sinto muito bem com minha vida, mas em outros eu quero morrer, porque aparentemente, não há nenhuma esperança para mim. O que será isso? Sou positivista ou deprimida?
Do nascimento à morte, cada pessoa obtém milhares de experiências na vida e a maioria delas é ruim. Algumas pessoas mais equilibradas desenvolvem uma maneira positivista de lidar com tais experiências, extraindo delas lições positivas, porém, a maioria das pessoas encara tais experiências como ancoras que estão presas em suas pernas e as levam para o fundo do oceano. Eu não sei em qual dos grupos eu estou.
Eu conheci muitas pessoas deprimidas em minha vida, assim como conheci muitas pessoas infelizes, e posso afirmar que todas as pessoas deprimidas são infelizes, mas nem todas as pessoas infelizes são deprimidas. Pessoas deprimidas não veem solução, só querem acabar com tudo; pessoas infelizes lutam, têm esperança de dias melhores, e apesar de não obterem sucesso, elas continuam suas vidas e suas tarefas, elas não param. Eu não me considero nem deprimida, nem infeliz, na verdade eu sou uma pessoa frustrada.
Por muito tempo eu pus a culpa dos meus fracassos em outras pessoas, porque, afinal, era o mais fácil de se fazer. Assumir que minha vida estava ruim por minha culpa era, no mínimo, frustrante. Aliás, eu conheço bem essa palavra, “frustrante”, porque frustração é um dos sentimentos que mais fizeram parte de minha vida ao longo dos meus vinte e cinco anos. Eu me frustro porque eu não me dedico às coisas que vou fazer e, na maioria das vezes, elas dão errado.
Eu sei que a vida é um processo e que cada pessoa segue de uma forma. Algumas pessoas tem mais sorte, outras menos; algumas são mais esforçadas e obtêm mais sucesso, outras como eu são preguiçosas e colecionam fracassos, enfim, mas eu sou consciente de que se eu me esforçar ou não, se fizer qualquer coisa ou nada da vida, ela vai passar e acabar assim mesmo. O que importa na vida para uma pessoa é o quanto ela consegue realizar entre seu nascimento e sua morte. É isso.
Não me cabe dizer a alguém o que fazer da vida, afinal, eu ainda estou tentando compreender o meu caminho, mas posso dizer que o que está ao nosso alcance é decidir se queremos ter uma vida significativa ou não, porque a partir deste momento, tudo muda e tudo fica claro.
A vida é importante para cada um, apesar da maldade, da corrupção, da pobreza, do ódio, da violência, das doenças, da escassez, das divisões e do extremismo, dos preconceitos e das discriminações, da tristeza que parece consumir algumas pessoas e até mesmo das psicopatias que distorcem a forma como algumas pessoas lidam com as outras. Não podemos controlar nada que acontece no mundo nem na natureza, mas podemos definir a direção para onde iremos e, apesar de tudo o que vier a acontecer, permanecermos no caminho que escolhemos.
O cacto é um a planta simples, que não chama a atenção, não tem folhas e é cheia de espinhos que causam medo nas pessoas de se aproximarem, mas, nas condições ideais, produz lindas flores que se destacam na mata e frutos deliciosos cheios de sementes, logo, como nós, dotados de inteligência, de força, poder de locomoção, capacidade de falar e de agir, não conseguir[íamos também produzir flores e frutos? Acaso somos mais simples que os cactos?
Minha história não é mais bonita que a de ninguém, afinal, a maioria das histórias humanas é de escassez, dificuldades, discriminações, lutas internas e externas, quedas, ascensões, derrotas e vitórias, o que importa e completar o ciclo. Quer eu lute ou eu desista, minha vida vai chegar ao fim igual a de todos os outros; se mais cedo ou mais tarde, depende de mim – quase sempre; e já que é assim, decidi não desistir e fazer alguma coisa útil e produtiva no pouco tempo que ainda me resta. E você?




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